Autenticidade e Transparência na Rede

A Virtualização das Relações Sociais – Autenticidade e Transparência na Rede

As redes sociais têm vindo a ganhar espaço no quotidiano das pessoas que possuem acesso às novas tecnologias. Assim, podemos dizer que as relações sociais de lazer sofreram algumas alterações. Enquanto, antes se realizavam encontros pessoais, como por exemplo, festas, reuniões entre amigos, hoje estas relações dão-se através da rede mundial de computadores. As tecnologias da comunicação possibilitam a quebra do tempo e do espaço, gerando o contacto em tempo real, entre pessoas distantes fisicamente discutindo um determinado tema. Com as redes sociais, surgem amizades virtuais, namoros virtuais e até infidelidade virtual. Com todos esses aspetos apontados em cima, podemos dizer que estamos perante uma virtualização das relações sociais.

Hoje em dia socializa-se cada vez mais através dos Ciberespaços, que “é um novo meio de comunicação que surge a partir da interconexão mundial de computadores, o termo abrange tanto a infra-estrutura material, quanto as informações contidas nele, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo.” (Levy – 1999).

Um dos exemplos destes ciberespaços, são as redes sociais (Facebook, MySpace, o Google+, o Twitter, entre outros) que podem ser utilizadas para aprendizagem, entretenimento, comunicação. Mas estes ciberespaços também têm os seus perigos pois se nós pessoalmente não conhecemos realmente uma pessoa como é que vamos conhece-la virtualmente.

Em relação à autenticidade na rede, na minha opinião, ela não existe pois há muita gente que cria perfis falsos, mostrando para a rede aquilo que não são, ou se apodera de perfis de outras pessoas. Logo existe sempre a incerteza se aquela pessoa é quem nós imaginamos que seja.

Se for possível separar o real do virtual então o nosso real e o nosso virtual complementam-se e fazem ambos parte da nossa vida, logo nós temos de mostrar na rede somente aquilo que queremos mostrar também fora dela, pois apesar de nós termos comportamentos diferentes consoante as pessoas e os espaços em que estamos, na rede todas a gente tem acesso e ao mesmo tempo, aquilo que somos na rede.

O facto de nós sermos transparentes na rede pode ser muito importante e facilitar em casos de burla ou roubo de identidades. Se nós formos transparentes na forma como comunicamos e interagirmos na rede criamos uma identidade virtual e assim, se formos alvo de algum roubo de identidade, os nossos amigos reais/virtuais conseguem reconhecer o sucedido com alguma facilidade. Por outro lado, na minha opinião existe pouca transparência na rede, mais precisamente, nas redes sociais, pois as imagens partilhadas na rede tentam sempre mostrar o lado bom. Quando se partilha uma imagem na rede, mostra-se, por exemplo, pessoas a divertirem-se e nunca, chateadas. As imagens, a maioria das vezes levam retoques em programas de tratamento de imagens, tornando assim as relações sociais pouco transparentes. Para além disso, se nós socializamos com uma pessoa na rede mas não a conhecemos pessoalmente, dificilmente saberemos se tudo o que diz e mostra corresponde à realidade. Por outro lado as redes sociais permitem que as pessoas, possam expressar-se de maneira diferente. Muitas das vezes podem sentir-se mais a vontade pois não estão a ver a pessoas com que estão a falar.

Será autêntica toda a informação que encontramos na rede? Hoje em dia, qualquer pessoa pode colocar informações na rede, o que torna grande parte da informação disponível pouco credível. A rede dá-nos acesso ao mais variado tipo de informação, o que pode ser visto como um perigo, pois os utilizadores podem vir a ter acesso a conteúdos pouco próprios. Mas, por outro lado, também é através da rede que podemos ter acessos a novas culturas, novas aprendizagens e conhecimentos. A informação encontrada na rede pode ser autêntica, tem é que ser bem selecionada para não corrermos os riscos que estarmos a tirar conclusões erradas sobre um determinado assunto.

As relações virtuais e o contacto com os outros através do computador é uma forma de se fazer amizades e conhecer novas pessoas. Assim, o ciberespaço não é sinónimo de individualização mas sim, é visto como um novo espaço de comunicação interpessoal e social.

Virilio (1993) diz que “neste rearranjo da cidade, do ponto de vista espacial e temporal, a partir do que denomina “rutura de continuidade”, desdobra na utilização das tecnologias eletrônicas de comunicação, se constituindo em uma mediação eletrônica que substitui o contacto face to face”.

 

Referências:

Lévy P. (1999), Cibercultura [Tradução de Carlos Irineu da Costa], São Paulo, Editora 34

Virilio, P. (1993), O espaço crítico e as perspectivas do tempo real. [Tradução de Paulo Roberto Pires], Rio de Janeiro, Editora. 34

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